Produtores rurais do RS apostam em novas culturas e tecnologias para reduzir a vulnerabilidade climática e manter a competitividade.
O agronegócio gaúcho, historicamente um dos pilares da economia estadual, enfrenta um momento de redefinição estratégica. As perdas acumuladas nos últimos três anos — resultado de uma sequência de eventos climáticos extremos que incluiu secas, geadas e as enchentes de 2024 — forçaram produtores e cooperativas a repensar modelos de produção que funcionaram por décadas.
A diversificação de culturas, a adoção de tecnologias de precisão e o investimento em infraestrutura de armazenamento e processamento emergem como as principais apostas do setor para reduzir a vulnerabilidade climática sem abrir mão da competitividade que posicionou o RS como um dos maiores exportadores agrícolas do país.
Da monocultura à diversificação
O modelo de produção predominante no RS — baseado na rotação soja-milho-trigo em grandes propriedades — mostrou-se particularmente vulnerável às variações climáticas dos últimos anos. Cooperativas como a Cotrijal e a Cotrisal já desenvolvem programas de incentivo à diversificação, incluindo culturas como canola, aveia e girassol, além do fortalecimento da pecuária de precisão.
Pequenos e médios produtores, por sua vez, encontram na agroecologia e na produção orgânica caminhos para agregar valor e reduzir a dependência de insumos cujos preços oscilam com o câmbio e a geopolítica. O mercado para esses produtos cresce consistentemente, tanto no Brasil quanto no exterior.
A transformação do agronegócio gaúcho não será rápida nem uniforme. Mas os sinais de que o setor está levando a sério a necessidade de adaptação são mais concretos do que eram há dois anos. A questão é se a velocidade dessa adaptação será suficiente para acompanhar o ritmo das mudanças climáticas.
Repórter especial
Especializada em economia e mercado financeiro. Formada pela UFRGS, com passagem pela Reuters Brasil antes de integrar a equipe do Diário Regional.